Você chegou até aqui, então por que ainda duvida de si?
Atualizado: 23 de ago.

Muitas de nós já ouviram esta frase...
Há alguns meses, assumi uma nova responsabilidade profissional e, por alguns dias, tive a estranha sensação de que alguém havia cometido um erro.
Não um erro no trabalho. Um erro ao escolher a mim.
Mesmo depois de tantos anos de experiência, de tantas situações resolvidas, de tantos caminhos percorridos, uma parte de mim ainda perguntava, em silêncio: será que vou dar conta?
Talvez você conheça essa sensação.
Você chega preparada, mas não se sente pronta. Tem experiência, mas acredita que ainda falta alguma coisa. Recebe um elogio e pensa que exageraram. Conquista um espaço e, em vez de ocupá-lo, começa a procurar provas de que não deveria estar ali.
Leia também:
Nós, mulheres, somos muito boas em investigar a nossa própria insuficiência. Analisamos cada erro, cada hesitação, cada conhecimento que ainda não temos. Raramente fazemos o mesmo inventário com aquilo que já construímos.
Talvez porque tenhamos aprendido cedo que segurança demais incomoda. Que uma mulher confiante pode ser vista como arrogante. Que é melhor saber muito e falar baixo. Que devemos estar absolutamente preparadas antes de levantar a mão.
Enquanto algumas pessoas aprendem fazendo, nós continuamos esperando a autorização que talvez nunca chegue. E o mais curioso é que essa insegurança nem sempre desaparece com a idade. Depois dos 40, ela apenas se torna mais sofisticada.
Já não pensamos somente que não somos capazes. Pensamos que deveríamos saber mais, estar mais avançadas, ter menos dúvidas. Como se a maturidade nos obrigasse a entrar em todos os lugares sem medo.
Mas experiência não é ausência de medo.
Experiência é perceber que você já sentiu medo antes e, ainda assim, continuou.
Foi isso que precisei recordar. Não cheguei até aqui porque sabia tudo. Cheguei porque aprendi. Porque perguntei. Porque errei, corrigi e tentei novamente. Porque atravessei situações para as quais ninguém poderia ter me preparado completamente.
Imagino que você também.
Talvez tenha criado filhos enquanto construía uma carreira. Talvez tenha recomeçado em outra cidade, outro país ou outra profissão. Talvez tenha sustentado uma família, cuidado de pessoas, enfrentado perdas e tomado decisões difíceis sem sequer chamar tudo isso de competência.
Nós costumamos reconhecer como experiência apenas aquilo que cabe em um currículo. Mas há conhecimentos que só a vida ensina.
A capacidade de perceber o que não foi dito.
De reorganizar tudo quando os planos desmoronam.
De continuar funcionando enquanto ninguém percebe o esforço necessário.
De recomeçar sem aplausos.
Isso também é competência.
Leia também:
Talvez você não precise de mais um curso antes de dar o próximo passo. Talvez precise olhar com mais honestidade para a mulher que já se tornou.
Não digo isso de um lugar de certeza permanente. Também duvido. Também me questiono. Também tenho dias em que me sinto pequena diante do que preciso enfrentar. A diferença é que comecei a compreender que a dúvida não é uma sentença.
Ela é apenas uma voz.
E nem toda voz que existe dentro de nós conhece a verdade. Às vezes, é apenas o eco de tudo o que ouvimos durante anos: não se exponha, não erre, não queira demais, não ocupe espaço demais.
Talvez tenha chegado o momento de responder.
Não com frases prontas ou uma confiança que você ainda não sente, mas com os fatos da sua própria história.
Você não chegou até aqui por acaso. Não enganou todas as pessoas durante todos esses anos. Não foi apenas sorte.
Houve esforço. Houve inteligência. Houve escolhas. Houve coragem, inclusive nos dias em que você não a reconheceu.
Hoje, quando aquela antiga sensação reaparece e me pergunta se sou realmente capaz, tento devolver outra pergunta:
Quantas vezes eu já achei que não conseguiria e consegui?
Talvez você também possa se perguntar. E talvez descubra que não precisa se transformar em outra mulher para ocupar o próximo lugar.
Precisa apenas parar de diminuir aquela que já existe.
Cristina R. Arango
Leia também:

Comentários