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A Coragem de Sentir: O Lado Cru e Transformador da paixão.

Quando sentimos, existimos...


Nós, mulheres, aprendemos cedo demais a fazer algo que nos custa caro: reprimir nossas emoções. E o mais curioso, ou talvez o mais cruel, é que fazemos isso quase sem perceber. Vamos acumulando sentimentos como quem esconde papéis numa gaveta que nunca esvazia: “agora não dá”, “não é o momento”, “melhor não criar problema”, “finge que não doeu”. Com o tempo, essa estratégia vira hábito. E o hábito, sem que percebamos, vira identidade.


Nos tornamos especialistas em continuar funcionando mesmo quando algo dentro de nós pede pausa, vibra, chora, deseja ou grita. E a sociedade… bem, a sociedade aplaude. Chamam isso de força, de maturidade, de autocontrole. Mas nós sabemos o preço. Ele aparece no corpo, nos silêncios, nas madrugadas em que o peito aperta, na sensação de que estamos vivas… mas pela metade. Reprimir emoções nos mantém “adequadas”, mas também nos rouba algo essencial: a conexão com a nossa verdade. E quando uma mulher se desconecta da própria verdade, perde brilho, perde voz, perde até o próprio rumo.


A paixão como fronteira, e como bússola


Existe uma verdade crua, quase irônica, que todas nós conhecemos, mesmo quando fingimos que não: quanto mais amamos, mais pode doer… mas mais vivas também ficamos. A paixão nunca foi um passeio calmo. Ela é uma fronteira instável entre elevar e quebrar. E é justamente ali, nesse espaço quase selvagem, que descobrimos quem somos. Só que, para sobreviver nessa sociedade que ainda insiste em moldar nosso comportamento, aprendemos a extinguir esse fogo antes mesmo que ele nos aqueça. Porque disseram que mulher intensa “sente demais”. Que mulher que deseja “assusta”. Que mulher que quer “complica”. Então nos acostumamos com a vida morna. Com o amor morno. Com o desejo morno. Mas há algo que nenhuma de nós pode negar: aquela sensação de borboletas no estômago quando estamos movidas pela paixão. Esse arrepio que não pede permissão. Esse chamado que acorda a alma. E essa sensação é real, e é nossa. E é justamente ela que nos lembra que ainda estamos vivas.


Relacionar-se com quem nos vê: um ato de coragem


Quando nos contentamos com o mínimo, estamos dizendo ao mundo que nossos desejos são negociáveis. Que nossa profundidade é exagero. Que a nossa intensidade é defeito. Eu também já pensei assim. Mas não é. Nunca foi. Relacionamentos que não alimentam… secam. Pessoas que não enxergam a nossa fome de vida… apagam. Histórias mornas… adormecem o que temos de mais bonito. Nós merecemos estar ao lado de quem suporta a nossa profundidade, quem respeita o que sentimos e quem reconhece que temos desejos legítimos, emocionais, afetivos, físicos, existenciais. Não para nos completar, mas para caminhar ao nosso lado sem nos diminuir.


Chega um momento na vida, e para muitas, ele chega depois dos 40, 50, 60, em que a pergunta se impõe: O que vale mais a pena? Seguir a cartilha criada por uma sociedade machista e patriarcal, que decide por nós como devemos amar, sentir e nos comportar? Ou assumir, com coragem, que sim, temos vontades, desejos, sonhos, e que queremos vivê-los, doa a quem doer? A resposta nunca é simples. O primeiro passo nunca é fácil. Mas a consciência já é a ruptura. E quando uma mulher desperta… é impossível colocá-la de volta na gaveta onde tentaram escondê-la.


Abra portas. Deixe a vida te surpreender !


Quando paramos de reprimir nossas emoções, algo muito importante acontece:o mundo deixa de ser um lugar onde “aguentamos” e passa a ser um lugar onde escolhemos estar. Escolhemos quem entra. Escolhemos quem fica. Escolhemos como queremos viver. E, principalmente, escolhemos não aceitar mais uma vida pela metade. Porque a paixão pode até queimar, sim, mas ela também ilumina. E, no fundo, todas nós sabemos: o que mais sentimos falta é de nós mesmas vivas.


Bjs, Cris!

 
 
 

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